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Vertido - 18 de Julho na galeria Murilo Castro

  • 11 de jul.
  • 3 min de leitura


Dia 18 de Julho abrirei minha primeira exposição individual na galeria Murilo Castro, em Belo Horizonte. Vertido mostra um conjunto de obras que exploram as águas profundas e o sangue como metáfora para os processos transformadores da vida. O sangue evoca movimento e pulsão de vida, a água em seus tons de azuis e verdes evocam memórias e sentimentos escondidos. Ambos funcionam como dois lados de uma poética liquida, que se traduz em pinceladas aguadas e colagens feitas com papel recortado, que muitas vezes parecem querer transbordar da tela.

Além disso a exposição revê diferentes momentos da minha produção associados a novidades que surgiram durante o processo de produção. Recortes e colagens em papel retornam mesclados à pintura, e não mais como papeis brancos ou colagens de vinil adesivo. Os azuis, antes monocromáticos, agora aparecem com outros tons que lembram mais as águas profundas dos oceanos ou as águas turvas dos rios. Corais são uma novidade na minha produção, que aparecem interagindo com a flora já recorrente ou com personagens como os que surgiram na minha última exposição individual. Segue abaixo o texto do Shannon Botelho para exposição: Vertido

Pedro Varela

 

 

A água não conserva as coisas, ela as transforma. Abaixo da superfície, o tempo adquire outra espessura. Os contornos se deslocam, as cores se alteram, as distâncias já não obedecem à mesma medida. Nada permanece exatamente como era, mas tampouco desaparece. Em Vertido, Pedro Varela faz da pintura um ambiente de imersão, onde as imagens atravessam diferentes tempos e reaparecem continuamente, como se a própria matéria da tinta preservasse o movimento incessante das águas.

 

Vertido marca a primeira exposição individual do artista na galeria e reúne um conjunto de trabalhos que evidencia uma nova inflexão em sua pesquisa. Sem assumir o caráter de retrospectiva, dado que os trabalhos são recentes e realizados para estarem aqui, o que vemos remonta visualmente diferentes momentos de sua trajetória e faz coexistirem signos, procedimentos e materiais que atravessam mais de vinte anos de carreira. Trata-se de uma exposição que nos convida tanto ao reconhecimento quanto à descoberta, uma vez que as recorrências plásticas permanecem, como se fossem lentamente transformadas pela própria experiência da imersão.

 

Nas pinturas, a tinta diluída estabelece o ritmo da exposição. Ora ela se espalha em transparências que se aproximam da aquarela, ora concentra-se em espessura, tornando visível o tempo e o gesto do exercício contínuo da pintura. Em outras superfícies, papéis recortados compõem imagens que reafirmam este deslocamento temporal na trajetória de Pedro. As colagens, elas não interrompem a pintura do artista, antes prolongam seu fluxo, fazendo com que matéria e imagem compartilhem valores e desejos criativos. A escala dos trabalhos, por sua vez, amplia a experiência de imersão, pois convida o observador, como em um mergulho, a percorrer uma paisagem em que corpos, flores, arquiteturas, recifes de coral parecem emergir de uma mesma corrente.

 

Em Vertido, nada retorna exatamente ao lugar de onde partiu. A água, signo aqui tão presente, altera as formas. A memória, força que move e determina o desejo, reinventa as paisagens. E a pintura, linguagem central da pesquisa do artista, faz do tempo uma matéria sempre disponível à transformação. Em um lugar localizado entre o silêncio das profundezas e a pulsação do sangue que faz florescer a vida, Pedro Varela delimita um recorte de universo onde recordar não significa repetir, já que cada imagem é sempre uma possibilidade de  reinvenção.

 

Shannon Botelho Galeria Murilo Castro

• Rua Saturno, 10 – Santa Lúcia Belo Horizonte – MG https://murilocastro.com.br/

 
 
 

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